domingo, 21 de fevereiro de 2010
Pegadas na areia
Sonhei que andava a passear na praia com o Senhor e, no firmamento, passavam cenas da minha vida. Após cada cena que passava, percebi que ficavam dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro era do Senhor.
Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia. Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso aborreceu-me deveras e perguntei então ao Senhor:
-Senhor, Tu disseste-me que, uma vez que resolvi seguir-Te, Tu andarias sempre comigo, em todos os caminhos. Contudo, notei que durante as maiores tribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque é que nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.
O Senhor respondeu-me:
-Meu querido filho, jamais te deixaria nas horas da prova e do sofrimento. Quando viste na areia apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exactamente aí que peguei em ti ao colo."
Levas-me agora, por favor?
...
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Ai isso é que ganhei! Por causa...
Eu ainda não sei bem usar a voz. Falo com os olhos; falo com música; falo com fotografias; falo no papel e no ecrã. Mas uso pouco a minha voz.
Penso que não terá sido por acaso que me foi colocado o desafio de a usar. E sabendo desta minha "inaptidão", ainda assim resolvi aceitar. Penso que isso também não deve ter sido por acaso. Estive à altura? Pois, se calhar não...
Há pessoas que têm um dom; eu, pelo contrário, preciso de pensar nas coisas antes de as dizer. E pensar bem, para condensar todos os pensamentos que viajam constantemente à velocidade da luz nesta cabeça. Depois então lá sai qualquer coisa. Às vezes bem, às vezes nem tanto.
Para quem não sofre deste mal, deve ser extremamente difícil de compreender o porquê do silêncio. E é justamente por isso que agradeço do fundo do coração a paciência e generosidade que algumas pessoas demonstram.
Sei que tive sorte, tanta sorte… Não apenas nestes 3 dias, mas em muitos mais!
O que é certo é que não valeu a pena só pelo arco-íris. Prometi e hei-de cumprir, todas as vezes que for necessário. Todas. A alternativa… não é alternativa.
Para quem ler e não perceber (provavelmente ninguém irá perceber a totalidade do que escrevi), não peçam muito… Sabem que tenho um problema de expressão… :P
É que há coisas que não são para entender quando se ouvem, são para ir entendendo com o tempo.
XXVI!
domingo, 6 de dezembro de 2009
Foi Deus
Porque canto o fado, neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento, todo sofrimento
Eu sinto que a alma cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas, deu ouro ao sol e prata ao luar
Foi Deus que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar
Se canto, não sei o que canto
Misto de aventura, saudade, ternura, e talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando, se tem um desgosto
E o pranto no rosto nos deixa melhor
Foi Deus que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar
E pôs as estrelas no céu...
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu luto as andorinhas
Ai... e deu-me esta voz a mim
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai... e deu-me esta voz a mim
Amália Rodrigues - Foi Deus
(versão dos Amália Hoje)
Letra original de Alberto Janes
Obrigada F., por nos lembrares!... Um exemplo de como algo simples pode ser tocante...
Para os apreciadores, ouçam também a versão original, com as guitarras e a magnífica voz de Amália.
domingo, 29 de novembro de 2009
?!
E até eu, que gosto de pessoas estranhas, fico às vezes perplexa. Dou voltas e voltas à mioleira a pensar o que raio passará pela cabeça de certas pessoas para se comportarem de maneira tão... estranha.
Na verdade, todos nós somos um pouco estranhos aos olhos uns dos outros. É natural, uma vez que somos todos diferentes e temos tendência para estranhar o que é diferente. Mas é que realmente há coisas que não dão para perceber...
Puzzled...
...and not pleased.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Estivação
Pode-se dizer que o blog esteve em estivação... Adormeceu perto da chegada da Primavera e acordou com o Outono... Entretanto perderam-se algumas coisas; umas recuperam-se, outras não. E outras coisas ganham-se.
Aprende-se que há que seguir com o que há, abrir mão de alguns sonhos e aproveitar as coisas boas da realidade. Às vezes teimamos em ir numa direcção e de repente... alguém dá uma curva por nós.
Some things, don't go as you want them to,
Good things, they don't always come to you.
Skunk Anansie - Good things don't always come to you
É o fim do mundo? Garanto que não! :)
Até breve!
Joana
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Paisagens
Este documentário incide sobre o sobreiro, uma árvore única em muitos aspectos, sobre as aves e flores silvestres que vivem neste ecossistema e também retrata o Montado alentejano como um dos últimos locais na Europa onde uma economia local sustentável (a indústria da cortiça) co-habita harmoniosamente com a Natureza. E faz isto tudo com grande qualidade.
No fim, ouvi os habituais "Ah, o nosso país tem coisas muito lindas!". E sabem, é mesmo verdade. Portugal tem de facto muita coisa muito bonita, que tendemos a desprezar, à boa maneira portuguesa... Temos paisagens de cortar a respiração! Esta terra é abrigo de inúmeras espécies de fauna e flora extremamente raras, muitas das quais só existem aqui ou no máximo na Península Ibérica, ou que vêm de muito longe para nidificar justamente naquele tipo de floresta. Foi bom relembrar tudo isto... Era bom que não nos esquecessemos...
Também era bom termos oportunidade de ajudar na conservação destes locais de maneira mais activa. Mas é do conhecimento geral que em Portugal não há muitas oportunidades de trabalhar nesta área... Mesmo as pessoas que estão a trabalhar em Biologia reconhecem as dificuldades em seguir em frente devido à falta de verbas. Fazer voluntariado é muito bom e bonito, mas a certa altura todos temos de arranjar maneira de ter o que comer... Já para não falar que há sempre "sete cães a um osso" quando há uma vaga num sítio qualquer. Fico a pensar como é injusto e revoltante ser (em certa medida) forçada pelas ciscunstâncias a abandonar o meu país para poder trabalhar no que gosto, quando há aqui tanto que poderia ser feito. No entanto, quem manda neste país não parece muito preocupado com estes temas e portanto não há propriamente abundância de oportunidades na área... Portanto, as perspectivas não são muito animadoras... Gostava de ajudar a crescer a terra onde nasci. Em vez disso, terei se calhar de ajudar a crescer a terra onde fôr parar, que poderá vir a ser deslumbrante, mas nunca será aquela onde cresci. Mas pronto, todo o cuidado que vier a prestar à Mãe Natureza estará a ajudar na conservação desta em todo o planeta, o que é o mais importante no meio disto tudo. Acreditem ou não, nós dependemos inteiramente dela!... Era bom que a respeitássemos mais.
E pronto, este foi o brainstorming que ocupou a minha cabeça e que me deixou com um sabor agridoce na boca, derivado da beleza das paisagens alentejanas e da escuridão que às vezes antevejo no futuro...
Que a esperança nunca se acabe!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Utilidade do humor
Nas coisas da vida em vez de dormir
Tive um quebranto, fiquei surdo e mudo
Tolhido de espanto mas percebi tudo
O mundo era meu, sentia-me um rei
O tempo era extenso e eu ditava a lei
Bastou dar um passo e crescer em frente
Perdi toda a graça quase de repente
Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver um sonho acordado
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado
Eu era feliz, tinha os meus brinquedos
O anjo da guarda tirava-me os medos
Descobri o amor e vi nele o paraíso
Mas para ser expulso às vezes pouco é preciso
Podia ter tudo do bom e do caro
Que nada acudia ao meu desamparo
Sou a alma do mundo mais bem informada
Quanto mais me informo mais sei que sei nada
Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver a sonhar acordado
Não via tão claro o significado
E tudo seria bem mais complicado
"Utilidade do humor" - Clã
Letra de Carlos Tê