segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Outono

Sempre associei o Outono ao recomeço. É um paradoxo, talvez. Afinal, o Outono é a estação em que se vai o calor, as folhas, as festas do Verão, as férias e a Natureza como que se volta para dentro, se é que me faço entender. É a estação de armazenar, colher os frutos, preparar para as dificuldades inerentes ao Inverno. E é aqui que eu vejo o recomeço.

Desde sempre associei o Outono ao voltar à escola, como não podia deixar de ser, uma vez que estudei quase 20 anos (arreeeee!). Ora pois eu sempre gostei da escola (pelo menos no início do ano eheh). Gosto de aprender. Gosto realmente de aprender! E gosto muito que me ensinem. Só não gosto de ser avaliada. Mas isso é conversa para outro dia.

Ainda recordo bem alguns dos trabalhos que fiz na escola primária no início do ano, em que pintavamos bonecos a ir para a escola, árvores de fruto, colavamos pedaços de folhas... E depois a expectativa de aprender coisas novas, diferentes, de evoluir. E além disso, o cheiro dos livros novos e cadernos por estrear, o cheiro dos lápis acabados de afiar...

Mas o Outono não é só escola.

Outono foi e será sempre as folhas incríveis do diospireiro maior da Fonte Lisboa espalhadas pelo chão, o meu pai empoleirado no escadote a apanhar os diospiros e a minha mãe e irmã a arrumarem-nos cuidadosamente nos baldes. E eu vidrada nas folhas...

Outono foi e será sempre a figueira que havia ao fundo das escadas de cima, enorme, e nós todos a apanhar os figos e a comer na hora metade deles.

Outono foi e será sempre o sabor das castanhas assadas e a imagem das videiras alinhadas em sebe pelo quintal fora.

E as folhas, sempre as folhas espalhadas pelo chão da cidade, da aldeia, dos quintais. E eu vidrada a olhar para elas na Fonte Lisboa, no jardim atrás da minha casa, no caminho para a escola primária, a caminho da Universidade, toda a vida vidrada nas folhas com cores outonais.

Outono foi e será sempre as manhãs como a de hoje, em que a chuva da noite liberta os cheiros todos das plantas e da terra pela manhã, o céu está cheio de nuvens mas ainda deixa o sol espreitar de vez em quando, está uma temperatura que ainda permite andar de manga curta e um casaco leve. Juro que me senti em harmonia com a Natureza, nem que tenha sido só por instantes; e desse sentimento só podem vir coisas boas.

Sem dúvida que é a minha estação do ano preferida.

1 comentário:

Tete disse...

:) Bonito texto. :)